segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Melhor de 2012: Cloud Nothings e TOY


Neste final de ano, STV destaca duas bandas deliciosamente barulhentas. Cloud Nothings chegou a 2012 com seu Attack on Memory, um disco não muito coeso que, em alguns momentos, parece apenas reproduzir, e muito bem, o que já veio nos anos 90. O melhor do disco é encontrado nas excelentes "No Sentiment", "Separation" (instrumental), "No Future/No Past", com aquele verso repetitivo e cada vez mais desesperado que vai rasgando a garganta de Dylan Baldi,  e "Wasted Days", da qual vem o verso "I thought I would be more than this", que rapidamente você está bradando junto com Baldi. Dos quase 9 minutos que a música tem, o que acontece dos 3:00 em diante é fantástico, um deleite aos post-hardcores e noise lovers.




TOY é a agradabilíssima surpresa do final de 2012. Shoegazing, psicodélico, noisy. Ecos de Sonic Youth e My Bloody Valentine. Um deleite só. A banda lançou seu debut (Toy) em setembro deste ano. 

As bandas vêm dos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente, e nos fazem o favor de fugir do básico e óbvio. Experiências auditivas ímpares, sem parecerem caricaturas de suas referências. 



domingo, 11 de novembro de 2012

Playlist: My Bloody Valentine



# Soft As Snow (But Warm Inside) (Isn't Anything)


# Lose My Breath (Isn't Anything)


# Feed Me With Your Kiss (Isn't Anything)



# Cupid Come (Isn't Anything)


# I Can See It (But I Can't Feel It) (Isn't Anything)


# Sometimes (Loveless)


# Come In Alone (Loveless)


# Only Shallow (Loveless)


# Soon (Loveless)


# To Here Knows When (Loveless)


sábado, 10 de novembro de 2012

Kevin Shields: Terceiro disco do My Bloody Valentine será lançado ainda em 2012

Larry Busacca/Getty Images

A edição desta semana do NME destacou uma entrevista exclusiva com Kevin Shields, líder do My Bloody Valentine, banda shoegaze altamente cultuada por... shoegazers, e entusiastas do subgênero. De acordo com a publicação, Shields garante a iminência do lançamento do superadiado terceiro disco da banda irlandesa.

Rumores sobre o próximo disco do My Bloody Valentine existem há anos, desde que a banda voltou a fazer shows. O álbum estava quase pronto quando a banda se separou no final da década de 90 e, assim, não foi lançado. Se a declaração de Shields ao NME se confirmar, o sucessor do icônico Loveless será finalmente disponibilizado ainda em 2012, através do site do músico. É uma promessa e tanto.

No primeiro semestre, a banda relançou seus dois álbuns, Isn't Anything (1988) e Loveless (1991), além dos EPs e algumas faixas inéditas, tudo devidamente remasterizado a partir das fitas originais.

My Bloody Valentine está confirmado como uma das principais atrações do festival japonês Tokyo Rocks, que ocorre em maio de 2013.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Nevermind: 21 anos de lançamento do último grande disco do rock





Nevermind nem é o melhor álbum do Nirvana. Geralmente, quem ocupa essa posição, tanto na opinião da crítica quanto do público, é In Utero (1993), lançado também no mês de setembro. Ainda assim, Nevermind tem uma importância irreversível na histórica recente do rock.

Em 24 de setembro de 1991 o disco foi lançado. Há exatos 21 anos, portanto. Para homenagear a banda e seu álbum, Songs to Valentina quis saber o que o clássico disco do Nirvana representa para uma nova geração de músicos de bandas independentes.


"Existem bandas que são únicas e que lançam pelo menos um trabalho único que move toda uma geração. E isso foi o que o Nirvana fez com o Nevermind. Esse disco representa muito a essência de um power trio: baixo pulsante, bateria bem executada e uma guitarra suja e pesada. Sem cortar os vocais desesperados, melancólicos e marcantes. Não existe uma única música ruim nesse disco e quando ele chega ao fim a gente tem aquele sentimento de "nossa, já acabou?". Nevermind, é o último grande disco do rock e deve demorar para que outra banda faça algo parecido". 


Adriano Nascimento, baixista da banda Liférika (SP) Facebook


"O ano é 1996, tenho 14 anos. Meus amigos desfilam pelas ruas do meu antigo bairro com camisas de flanela xadrez, eu estou me envolvendo com o que o rock dos anos oitenta produziu no Brasil, minha banda de coração até então, pasmem, é o Titãs. Uma colega da escola me pergunta: “Já ouviu Nirvana?”. E eu: “Claro que não, o que é isso?”. Ela então me empresta uma k7 com dois discos deles: o primeiro,  Bleach, e o famoso Nevermind. Ouço a fita umas vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes, e no dia seguinte eu falo: “Que merda é essa? Só tem barulho nessa merda, não gostei, não tem nada melhor?”. Alguns dias depois, estava na casa de um colega. Estávamos fazendo o que era de praxe ser feito naquele tempo: ouvindo musicas de fitas k7 e tomando algum vinho bem vagabundo. Naquele momento, não sei por que, aquela zona toda começou a fazer sentido e naquela mesma tarde fiquei sabendo que o vocalista havia se matado com um tiro na cabeça. Não foi algo tão mágico como foi para muitos, mas as doses homeopáticas que consumi desse disco me fez abrir a mente e os ouvidos para o que se pode fazer quando você grita com tesão". 



Dom Orione, vocalista e guitarrista do duo 3 éD+ (SP) SoundCloud


"O Nevermind é um clássico, não só do grunge, do rock, mas da música. É um disco tênue, construído no limiar do rock garageiro com a música pop. Por vezes soa confuso, como uma indecisão. Mas acho que é isso que ele quer transmitir. Acredito que, querendo ou não, quem o escuta se influencia por ele e percebe algo insistentemente atraente, que faz jus à sua repercussão imediata a seu lançamento, como sua permanência nas prateleiras dos mais vendidos. Sobre a nossa influência como banda, acredito ser muito forte, principalmente na construção de arranjos e melodias, assim como na produção em si, no estúdio. Bebemos dessa fonte, principalmente eu, que vivi uma adolescência saturada de Nirvana". 


Jonas H. Schommer, vocalista e guitarrista da banda Volar (RS) Blog Oficial


"Pra mim - e tenho certeza que pra milhões de outras pessoas de todas as idades também -, o Nevermind é, sem dúvida, um disco histórico. Acho que ele é sim, muito importante para a história do rock, mas também acho que foi muito importante para a própria banda, que conseguiu mostrar um amadurecimento em relação ao disco anterior - o Bleach, de 1989 -, mantendo a mesma essência talvez "auto-destrutiva" do Kurt Cobain nas letras, guitarras dissonantes ou na voz rasgada do líder baixo, loiro, frágil e magro, mas adicionando elementos mais pop, como versos bem definidos e refrões que grudam na cabeça (como em "Polly" e "Lithium"). "Smells Like Teen Spirit", odiada e adorada por muitos, sem dúvida, é o maior hit do Nirvana, e isso não significa que é ruim - pois vivemos em um mundo onde sucesso virou sinônimo de má qualidade. É uma música que nasceu naturalmente, dá pra sentir - ouvindo a primeira execução da música, disponível no box da banda, With the Lights Out - a sinceridade em todos os aspectos, tanto na pegada forte da bateria de Dave Grohl, como nos baixos elaborados para as linhas simples, porém agressivas de Kurt. Era diamante bruto e foi lapidada com maestria, para atingir milhões de ouvidos pelo mundo todo, influenciando toda uma geração. Acho que se esse disco não existisse, provavelmente eu não faria o som que faço agora. Acho que eu nem seria a mesma pessoa e não teria vivido tanta coisa boa". 

Murilo Dourado, vocalista e guitarrista da banda Radioviernes (SP) Site Oficial


"Me lembro bem dos primeiros acordes de "Lithium" e "Smells Like Teen Spirit" que tocavam repetidas vezes no rádio quando eu tinha apenas 10 anos. Um dos melhores discos do tão influente (para mim) anos 90. Letras e melodias simples, anexadas ao gênio que musicalizou, popularizou e eternizou seus gritos e o Nirvana". 

Dênio Rezende, baixista da banda Real Fênix (MG) TramaVirtual


"O Nevermind é uma revolução na minha vida e na de muitas outras pessoas. Visceral. Direto e reto. Libertando a criança dentro de cada um. A criança que estava presa, enclausurada em um quarto, vai para fora de casa gritando e colocando pra fora tudo o que tinha preso na garganta! Simplesmente fantástico!". 


Thiago Sobral, ex-vocalista da banda Kbrera (SP) MySpace






11 de janeiro de 1992 – Nirvana havia sido o número musical do Saturday Night Live [em Nova York]. Sua apresentação no programa se mostraria um divisor de águas na história do rock’n’roll: a primeira vez que uma banda grunge havia recebido exposição nacional ao vivo na televisão. Foi no mesmo fim de semana em que o maior lançamento do Nirvana, Nevermind, batia Michael Jackson no primeiro lugar das paradas da Billboard, tornando-se o álbum mais vendido do país. A maneira pela qual o Nirvana havia tomado de surpresa a indústria musical não tinha precedentes. Praticamente desconhecida um ano antes, o Nirvana tomou de assalto as paradas com sua “Smells Like Teen Spirit”, que se tornou a canção mais conhecida de 1991, a frase de abertura na guitarra simbolizando o verdadeiro início do rock dos anos 90. (Charles R. Cross)


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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Karina Buhr indicada a três categorias no VMB 2012

No Brasil das crias de Marisa Monte, uma cantora mais ousada desponta.


Desbotado o cenário de cantoras MPB/Rock nacionais, a descoberta de Buhr é um deleite aos mais inquietos. Karina está indicada ao Video Music Brasil 2012, premiação da MTV, nas categorias Melhor Disco, Melhor Música - “Cara Palavra” - e Melhor Artista Feminino. Se indicada pelo voto popular na internet, Buhr vai à votação final da Academia VMB, um juri formado por jornalistas, críticos e outros profissionais ligados à música. Longe de Onde, o disco em questão, está disponível para download no site da cantora. No último sábado (28), aliás, ela foi atração do programa Show Na Brasa da MTV.

Pernas à mostra, meia arrastão, brilho, cores (e mais brilho) nos olhos. Não é só o figurino, não é só a performance. O mais interessante mesmo em Karina é a ousadia de letras ácidas e estranhas, muitas vezes embaladas ironicamente em melodias suaves, o romantismo quase imperceptível. Em Karina, o amor não é romântico do tipo puro e sofredor. Ele é amargo e sinceramente controverso. Karina não é doce (cantando) e não é pop. No Brasil das crias de Marisa Monte, ou de eventuais candidatas à próxima Mallu Magalhães, uma cantora mais ousada desponta, finalmente.



terça-feira, 26 de junho de 2012

Goo: 22 anos do lançamento



Em 26 de junho de 1990 o Sonic Youth lançava Goo, primeiro por uma grande gravadora, a Geffen, da qual a banda só se desvinculou em 2007 quando foi para a menor e não menos importante Matador. Não é novidade que eles eram uns dos heróis do jovem e iniciante Kurt Cobain que então se tornara maior até que os próprios heróis. E Goo foi lançado exatamente na febre grunge norte-americana e rendeu turnês pela Europa e Estados Unidos ao lado do Nirvana. Assim, o Sonic Youth experimentou nessa fase “Goo-Dirty” algum sucesso comercial. Goo é o sucessor do espetacular Daydream Nation (1988) e é possivelmente o disco cujas canções têm os videoclipes mais toscos já produzidos - vide “Tunic (Song for Karen)” e “My Friend Goo” -, mas também há boas produções audiovisuais como em “Kool Thing”, o primeiro single, no qual a loira e linda Kim Gordon flerta com o rapper Chuck D e exibi-se com gatinhos. “Disappearer” também é dos melhores, e o encantador vídeo de “Dirty Boots” transpira amor grunge adolescente. “Mote”, cantada por Lee Ranaldo, "Titanium Exposé" e “Mildred Pierce” também estão entre os destaques do disco. Um álbum depois (Dirty, de 1992) e o Sonic Youth pondera o “sucesso”, transgride, e reaparece com Experimental Jet Set, Trash And No Star (1994) talvez desapontando de certo modo os fãs casuais conquistados com Goo. Fato é que este álbum sempre será lembrado como um dos melhores da banda, seja ele - moderadamente - comercial ou não.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Los Hermanos volta a fazer shows este mês

Músicos se reúnem para comemorar os 15º aniversário da banda que, para alegria de muitos, na verdade nunca deixou de existir


Em 2012 será a terceira vez que a banda carioca Los Hermanos sai em turnê após o hiato anunciado em 2007. Agora, a banda segue numa turnê maior, percorrendo algumas das principais cidades brasileiras, para 24 shows que comemoram seus 15 anos de existência. Segundo o tecladista Bruno Medina em seu blog no portal G1, eles iniciaram os ensaios neste mês de abril. Não por acaso, o show que abre a turnê comemorativa acontecerá no dia 20, no festival Abril Pro Rock, em Recife, principal ponto de partida para a carreira bem-sucedida da banda. De abril a junho, a turnê ainda passa pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Belém, Manaus, Fortaleza e Brasília. “Se agora estamos fazendo 24 shows, e, pelo menos 20 deles estão esgotados há 4 meses, posso afirmar seguramente que não foi apenas por causa de uma música lançada 13 anos atrás”, diz Medina em seu blog.


Após um sucesso estrondoso - "Anna Júlia" -, quatro discos lançados, uma imensidão de fãs conquistados em todo o país e 10 anos de carreira, seus integrantes optaram por dar um tempo com a banda e partiram para projetos pessoais. Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, por exemplo, lançaram discos. Amarante juntou-se a Fab Moretti (The Strokes) na banda Little Joy, e de lá pra cá Camelo lançou dois discos solos, Sou e Toque Dela. Os primeiros shows de retorno aos palcos ocorreram em 2009, em São Paulo e Rio de Janeiro, abrindo para os ingleses da Radiohead, e houve uma mini-turnê pelo nordeste do país em 2010, além de uma apresentação no festival SWU no mesmo ano.

Sobre a nova turnê de 2012, o tecladista Bruno Medina afirma em sua página na internet: “A verdade é que o Los Hermanos nunca deixou de existir – apesar de muita gente pensar o contrário. Penso que a banda é como uma casa de praia: por mais que você tenha escolhido outro lugar para morar e ainda que você só passe ali alguns dias por ano, trata-se do lugar em que você vai viver os momentos mais felizes da sua vida. Exatamente porque ali é seu refúgio, e não a sua rotina”.


domingo, 8 de janeiro de 2012

David Bowie faz 65 anos

                                                                                                                                                    
Divulgação

O músico, produtor musical e ator inglês David Bowie completa hoje, 8 de janeiro, 65 anos. Ora extravagante, ora polêmico, o Camaleão do Rock ganhou notoriedade por sua incrível capacidade de se reinventar musical e visualmente. Ao longo de décadas, a música de David Bowie vem influenciando a muitos e legitimando seu nome entre os maiores da cultura pop.