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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Rival Revolution: "Amo a ideia de expressar emoção sem utilizar letra"

Jack Kempton é um músico da cidade de Colchester, Inglaterra, e é também o fundador da Rival Revolution. O ponto interessante é que Rival Revolution foi formado por apenas um homem - Jack. Aos 23 anos de idade, ele gosta de seguir um estilo musical diferente, sua música é instrumental. Escutar as músicas do início ao fim é mais do que apenas ouvir música, o som de Rival Revolution vai fazer você se sentir e digerir cada nota musical, desencadeada por acordes de guitarra ou pelo dedilhado de um violão. À frente do Rival Revolution desde a sua criação em 2012, Jack nos contou um pouco sobre sua carreira.

por Camila Borges


Foto: Facebook Rival Revolution
Quem é Jack?
Eu cresci em Londres, a cerca de uma hora de distância de onde eu vivo atualmente e sempre quis fazer algo um pouco "diferente" do que os outros estão fazendo. Gosto de ir contra a corrente.

Como você começou essa experiência com a música?
Eu comecei a tocar guitarra há alguns anos, era algo que eu realmente queria aprender a tocar. Eu, então, pratiquei por horas a cada dia para melhorar e chegar ao nível que eu estou agora. Eu estudei música na faculdade, lugar onde eu comecei a escrever minhas próprias músicas e também aprendi muitas das técnicas de produção que uso atualmente.

Quando você decidiu que queria ser músico?
Universidade! Embora eu fui lá para ter mais conhecimento de produção de música, a faculdade foi meu início como músico e foi o lugar onde Rival Revolution nasceu!

Quais são suas influências musicais?
Alguns guitarristas como Jimi Hendrix e Rory Gallagher são enormes influências para mim, o que ambos podem fazer em uma guitarra é incrível! Mark Tremonti, de Alter Bridge, também é uma grande influência, e você não pensaria nisso, mas eu também sou um grande fã de Avril Lavigne! Algumas das minhas músicas são inspiradas por ela!

Qual é o seu instrumento musical favorito?
Embora eu adorar a guitarra, eu sou um grande fã dos tambores! E baterias também.

Sua música é instrumental, o que te fez escolher este estilo de música?
Eu amo a ideia de ser capaz de expressar emoções ou significado através de uma canção sem o uso de letras, e que não há nenhuma linguagem de barreira para impedir as pessoas de compreender qualquer uma das minhas músicas. Eu também gosto do fato dela ser única, o que significa que se destacam - eu mencionei anteriormente sobre "ir contra a corrente", este é um puro exemplo disso.

Explique o nome de sua banda
Há um monte de significado por trás do nome - que é uma longa história em si - mas em termos curtos, eu gosto da ideia de uma revolução e levantar-se para o que você acredita que é certo. Eu certamente não gosto 'caras de terno' - como os políticos - recebendo seu destino o tempo todo.

Qual é o seu estilo musical?
Rock Instrumental! E também riffs rápidos de hard rock a músicas mais lentas, espaçadas, místico, canções descontraídas, então há algo lá para todos.

Qual é o seu filme favorito?
O Prestige! É um filme sobre a magia, e meu mais novo álbum 'Illusions' é fortemente inspirado pelo filme! O principal tema do álbum é que o filme de fato!

Qual das suas músicas é a sua favorita?
"Shadows of August" do meu EP 'While The World's Asleep' e também "The Big Bang Rumour" do meu novo álbum.

Qual é o seu maior sonho?
Gostaria de ter uma base de fãs estável e fazer shows regulares! Eu tenho sorte de já ter fãs tão incríveis, mas eu gostaria de estar em um próximo nível e jogar em lugares maiores, isso seria uma recompensa enorme para todo o meu trabalho duro.

Se você fosse uma cor, que cor você seria e por quê?
Verde-limão! Porque certamente se destaca e é diferente!

O que você diria para seus fãs no Twitter e no Facebook?
Obrigado! Obrigado por todo o apoio encantador! Desde os fãs que eu tive desde o primeiro dia, para os fãs mais recentes. Vocês são incríveis e eu não poderia fazer isso sem você e sem o seu apoio maravilhoso!

Illusions (2014)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Follow The Sea: "Fita cassete faz as coisas mais interessantes. É difícil pular músicas"

Foto: Facebook Follow The Sea

As reuniões das bandas My Bloody Valentine, Slowdive e Ride coincidem com uma notável renovação do shoegaze. Elas talvez não saibam o quanto continuam a inspirar muitos jovens músicos. Novas bandas de todas as partes emergem todos dias no universo da internet, conectando-se com ouvintes ao redor do mundo, como é o caso do duo sueco Follow The Sea, que com apenas uma guitarra consegue soar tão shoegaze e noise quanto os melhores. Eles estrearam com o EP digital e independente 'Follow The Sea' em julho de 2013 e atualmente estão divulgando o segundo EP, 'Sibirien', via Moon Sounds Records, um selo dos Estados Unidos com o qual fizeram contato por correio. A seguir, a entrevista com o vocalista e guitarrista Erik Solfeldt.

Como surgiu o Follow The Sea?

Eu tinha escrito algumas canções dream pop e Magnus me ajudou a gravá-las. Nós percebemos que elas eram muito boas e quisemos tocar shoegaze como um duo. 

'Canções pop com elementos de distorção e melancolia escandinava'. Comente, especialmente a última parte.

Em Novembro nós tivemos 5 horas de sol. O restante foi só nuvem e chuva. São 5 horas por dia de sol, o restante é pura escuridão. Na nossa música há um sentimento de nostalgia, de sonhar com um outro momento, um outro dia, uma outra estação, tanto quanto em grande parte da música escandinava.

Do seu ponto de vista, há uma cena neo-shoegaze na Suécia?

Não, não há muita música shoegaze na Suécia, não mesmo, infelizmente. Existem algumas ótimas bandas e artistas mas nós não chamaríamos isso de cena. A sonoridade shoegaze tem começado a se tornar pop com reverb vocals e um tipo de electro dream pop que chamamos de 'pop de penas', porque quando estão se apresentando sempre usam penas de pássaros. Então pode haver uma cena em breve, quem sabe. 

Como aconteceu o contato com o selo norte-americano?

A Moon Sounds Records tem bandas como Dead Leaf Echo e Ceremony no seu casting, ambas ótimas bandas que nós ouvíamos então enviamos a eles uma demo, no modo antigo, via correio. E eles gostaram.

Foto: Facebook Follow The Sea
Na sua opinião, quais elementos podem existir na nova música shoegazing que representem mais do que uma reprodução do que veio antes?

Ótima pergunta! Muitas bandas shoegaze tem realmente sonoridades únicas.  O gênero é divertido porque não há muitas regras, há somente uma estética e uma atitude, mas realmente é tudo diferente. Existem muitas influências diferentes vindas de todas as partes, então cada banda que traz uma nova influência traz algo novo. 

Finalmente, por que vocês decidiram lançar o EP também no formato cassete?

Fita cassete é divertida. A música [atualmente] está muito acessível, é fácil só ouvir o que você acha que é melhor ou mais interessante, ou simplesmente o que está mais disponível. A fita cassete e o vinil fazem as coisas mais interessantes. É um pouco desafiador para o ouvinte. É difícil escolher ou pular músicas. Você tem que aceitar o que o artista te dá, o que te força a relaxar e se concentrar na música. 



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Entrevista: Blear


Anderson Lima (baixo), Erick Alves (vocal e guitarra), Rodrigo Lima (guitarra) e Kajiro (bateria) formam a banda Blear. Seu primeiro single, Melting Sun (2013), é a impecável combinação de elementos do shoegaze e do grunge que atinge em cheio os ouvidos e corações dos que estimam os berros e as doces melodias alternadas. Confira a entrevista com a banda que atualmente se prepara para lançar seu primeiro disco. 


Qual é a experiência anterior de vocês com a música? Tocaram em outras bandas ou a Blear é a primeira de todos? 

Como tocamos há alguns anos já passamos por algumas bandas sim, inclusive o Kajiro (baterista) toca na Hollowood


Como surgiu a Blear?

Blear surgiu em 2011 com o Erick e o Rodrigo compondo algumas músicas. O Anderson e o Ricardo Azedo (primeiro baterista) entraram em 2012 pra completar a banda, então começaram os ensaios e novas músicas foram surgindo até a gravação do nosso primeiro single 'Melting Sun', em outubro de 2013.

Quais bandas exerceram as mais relevantes influências na sonoridade da Blear?

Sonic Youth, Swervedriver, Nirvana, Smashing Pumpkins, Dinosaur Jr., Helmet, Therapy e muitas outras bandas dos anos 80 e 90.


"Cada música fala sobre um certo momento de nossas vidas, coisas como levantar cedo e ir trabalhar, desafetos, brigas..."

Como foi o processo de produção do primeiro single, 'Melting Sun'? 


Como gostamos muito de tocar nós compomos muitas músicas desde o primeiro ensaio. Escolhemos as duas que mais representavam nossa sonoridade até então.

Sobre o que tratam suas músicas?

Cada música fala sobre um certo momento de nossas vidas, coisas como levantar cedo e ir trabalhar, preguiça, ficar de saco cheio, desafetos, brigas...


Como está indo a produção do próximo material? Será um disco cheio e digital?

Estamos em processo de gravação, fazendo tudo com muita calma para alcançarmos a sonoridade que desejamos. Será um disco cheio, provavelmente com 9 músicas, e ainda não decidimos em qual formato será lançado. 

Tem previsão de lançamento?

Queremos lançar ainda esse ano, estamos nos esforçando pra isso.

Continuam compondo letras em inglês? E por que essa escolha?


Sim, porque a maioria das bandas que escutamos cantam em inglês e isso nos influencia muito. Além da métrica em inglês casar melhor nesse tipo de música.


 "Lugares pra tocar estão escassos em São Paulo"

Em 'Melting Sun' a sonoridade ‘grungegaze’ fica bem evidente. O próximo lançamento seguirá a mesma proposta?

Surpresa!

Como avaliam o recente cenário musical underground em SP? 


Sobre bandas, achamos que está rolando uma cena bem legal. Temos o Twinpine(s), Mudhill, Vapor, Poltergat, Chalk Outlines entre muitas outras que representam muito bem o rock alternativo e não ficam devendo nada pra nenhuma banda que está em evidência por ai. Temos um pequeno público que tem acompanhando essa galera toda e tem curtido muito a energia que rola nos shows. Lugares pra tocar estão bem escassos aqui em São Paulo. Estamos tocando em lugares mais inusitados como praças e bares em locais mais distantes do circuito central que estávamos acostumados há um tempo.




sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Entrevista | Quatro perguntas para a banda Amida de Manchester (Reino Unido)

Divulgação / Site Amida


por Talita Lima

Como é ser um representante da música feita em Manchester, uma cidade associada à banda The Smiths, por exemplo?

John Ammirati: Há um tipo de prestígio. Mas Manchester é uma cidade muito apaixonada com o seu passado e a lenda local é que a música morreu [na cidade] com o fechamento do Hacienda [clube de música] em 1997.

O que você acha do modo como as bandas compartilham suas músicas hoje em dia? Com a internet e as mídias sociais… tudo ficou mais fácil?

John: Alguém duvida de que a internet é totalmente um presente para bandas e outros narcisistas? Junte a isso as gravações caseiras e a vida quase parece que vale muito a pena ser vivida.

"Alguém duvida de que a internet é totalmente um presente para bandas e outros narcisistas?"


Vocês se sentem mais influenciados pelo britpop dos anos 90 ou dos anos 2000?

John: Acho que nós todos nos contorcemos um pouco ao ouvir a palavra “indie” porque é sinônimo de muitas bandas péssimas com cortes de cabelo ruins. Mas há muito o que amar das últimas décadas. Acho que ser influenciado por seus contemporâneos é a maior gafe.

"Acho que nós todos nos contorcemos um pouco ao ouvir a palavra “indie” porque é sinônimo de muitas bandas péssimas com cortes de cabelo ruins."

É fácil observar que muitas de suas canções não têm nem dois minutos… comente sobre isto.

John: Normalmente nós não sabemos quanto tempo as músicas terão até gravá-las, e nós nos cumprimentamos quando temos uma canção que dura mais do que dois minutos. Um dia lançaremos uma música com quatro minutos, eu juro por Deus. Eu juro por Cristo.


Ouça o novo EP Are You On Fire?


Amida foi fundada em 2002 por John Ammirati e Andrew Beswick. Os membros atuais são: John Ammirati (voz e guitarra), Andrew Beswick (guitarra), Scott Challinor (bateria), James Aran Cooper (baixo) e Sebastian Hood (teclado e voz). 


Ouça a discografia da banda Amida aqui: https://amidamusic.bandcamp.com/


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Interview | Zeit (Sweden): "Basically it’s just pop music drenched in fuzz"


Zeit has arisen in Gothenburg, Sweden, with a sound based on post-punk, noise pop, dream pop and shoegaze. They have just released your new EP Life is Just a Blur, another brilliant work made for the shoegazer new generation. Its co-founder Erik Engblom spoke with blog this week about Zeit’s discography, the both sides of internet and social media revolution to indie bands, and the bigger shoegaze exponent ever, My Bloody Valentine.

by Talita Lima


In what year Zeit was formed? What bands more have inspired you?

Erik Engblom: As a band Zeit have existed since 2010. But as a concept the band formed by me and Erik Jonsson late 2008 over a couple of drinks at my brothers place. We both share a fondness for what happened with rock music in the late 80-90 ´s, we both love and growing up listening to bands like Broder Daniel (Swedish cult band), Joy Division, Jesus and The Mary Chain, The Smiths, Slowdive, Sonic Youth, Nirvana and My Bloody Valentine. I wouldn't say that we are influenced by those band, but rather these bands inspired us to do our own thing.

What are the expectations about the new EP Life is Just a Blur?

Erik: I haven't given it too much thought, but spontaneous I hope that people feel something when they listening to it – disgust, love, hate, sorrow etc. I think most people don't like it cause it´s rather extreme and drenched in fuzz. At the same time I think those who are well informed (know the genre) might love some of tracks. Basically it’s just pop music drenched in fuzz. It´s an old concept coming back in style. 

How has its receptivity been?

Erik: People are generally nice especially if the band is unknown. I guess people who don't like it don´t want to waste energy by writing us down. At the same time those who like it often say nice things about the new EP. With that said, the receptivity has been good.

"Basically it’s just pop music drenched in fuzz."

According to your Bandcamp page, your debut was with a full-length album with ten tracks, in 2011. Was there a particular reason for you release a EP this time? Is it as a preparation to a next full-length album?

Erik: We just had a couple of songs that we recorded and it ended up as an album in 2011. The new EP released feels like a new beginning, I guess you can call it preparation for what to come, but I don't know at this time if it’s a full-length album or another EP. I personally love the EP format. It’s perfect for concepts and in my opinion less boring than the album. 

What do internet and social media mean to indie bands like Zeit?

Erik: It´s a good thing I guess. Small bands don’t need to be on a label anymore. With internet and social media revolution bands can promote and release material without the greedy labels. At the same time it’s hard to get through since it feels like everyone making music these days.

"I think My Bloody Valentine doing the right thing releasing it on their own, they really don't need the labels." 

How is the shoegaze/dream pop scene in Sweden?

Erik: I don’t know if there really is a shoegaze scene in Sweden. Don´t know if there are scenes at all in Sweden. We have a couple of big festivals every year and that´s it. It’s hard to tour in Sweden since no one is willing to pay band for concerts. 

Have you read the Kevin Shields interview on Guardian speaking about MBV has been “banned” from the list of nominees to the Mercury Prize because the album had been released independently? What do you think about it?

Erik: Haven't heard about it. And my general attitude is that music and art in general are not a sport – you can't compete. And I think My Bloody Valentine doing the right thing releasing it on their own, they really don't need the labels.

Comment about your future concerts.

Erik: We hope to tour Europe in the near future!

Leave a message to the shoegaze/dream pop lovers in Brazil.

Erik: Hope to tour your part of the world someday.



Entrevista | Zeit (Suécia): "Basicamente é só música pop encharcada em fuzz"


Zeit surgiu em Gotemburgo, Suécia, com um som baseado no pós-punk, noise pop, dream pop e shoegaze. Eles acabaram de lançar o seu novo EP Life is Just a Blur, outro brilhante trabalho feito pela nova geração shoegazer. Seu cofundador Erik Engblom falou com o blog esta semana sobre a discografia do Zeit, os dois lados da revolução da internet e das redes sociais para bandas indie, e o maior expoente shoegaze de todos os tempos, o My Bloody Valentine.


Em qual ano Zeit foi formada? Quais bandas mais inpiraram vocês?

Erik Engblom: Como banda, Zeit existe desde 2010. Mas a ideia da banda formada por mim e Erik Jonsson veio no final de 2008 depois de uns drinks na casa dos meus irmãos. Nós dois compartilhamos uma predileção pelo rock do final dos anos 80 e início dos anos 90, nós dois amamos e crescemos ouvindo a bandas como Broder Daniel (uma banda cult sueca), Joy Division, Jesus and Mary Chain, The Smiths, Slowdive, Sonic Youth, Nirvana and My Bloody Valentine. Eu não diria que nós somos influenciados por estas bandas, prefiro dizer que estas bandas nos inspiraram a fazer nosso próprio som.

Quais são as expectativas a respeito do novo EP Life is Just a Blur?

Erik: Eu não tenho pensado muito nisso, mas eu espero que as pessoas sintam algo quando ouvirem - aversão, amor, ódio, tristeza etc. Acho que a maioria das pessoas não gosta dele porque ele é um pouco extremo, exagerado e encharcado de fuzz. Ao mesmo tempo, acho que aqueles que conhecem o gênero podem amar algumas das faixas. Basicamente é só música pop encharcada em fuzz. É um velho conceito (musical) voltando à moda. 

Como tem sido a receptividade (do EP)?

Erik: As pessoas são geralmente gentis, especialmente se a banda é desconhecida. Acho que as pessoas que não gostam dele não querem desperdiçar energia falando mal. Ao mesmo tempo, aqueles que gostam do EP frequentemente dizem coisas legais sobre ele. Sendo assim, a receptividade tem sido boa.

"Basicamente é só música pop encharcada em fuzz."

De acordo com a página da banda no Bandcamp, a estreia de vocês foi com um álbum com dez faixas, em 2011. Houve uma razão especial para lançarem um EP dessa vez? É um tipo de preparação para o próximo disco cheio?

Erik: Nós simplesmente tínhamos algumas músicas que gravamos e que acabaram como um álbum em 2011. Sentimos o novo EP lançado este ano como um novo começo, eu acho que você pode chamá-lo de uma preparação para o que está por vir, mas eu não sei ainda se será um álbum cheio ou um outro EP. Pessoalmente amo o formato EP. É perfeito para conceitos e na minha opinião menos chato do que um álbum.

O que a internet e as redes sociais significam para bandas indie como Zeit?

Erik: É uma coisa boa, eu acho. Bandas pequenas não precisam estar em uma gravadora mais. Com a internet e a revolução das mídias sociais, as bandas podem promover e lançar material sem contrato com gravadoras. Ao mesmo tempo é difícil porque a partir daí parece que todo mundo faz música hoje em dia. 

"Eu acho que o My Bloody Valentine fez a coisa certa lançando o disco por eles mesmos, eles na verdade não precisam de gravadoras."

Como é a cena shoegaze/dream pop na Suécia?

Erik: Eu não sei se existe realmente uma cena shoegaze na Suécia. Não sei se existem quaisquer cenas na Suécia. Nós temos alguns grandes festivais todo ano e é isso. É difícil excursionar na Suécia uma vez que ninguém está disposto a pagar bandas para shows.

Você leu a entrevista de Kevin Shields no Guardian falando sobre o MBV ter sido “banido” da lista de indicados ao Mercury Prize porque o disco tinha sido lançado de forma independente? O que você pensa sobre isso?

Erik: Eu não soube disso. Geralmente penso que a música e a arte em geral não são esportes - você não pode competir. E eu acho que o My Bloody Valentine fez a coisa certa lançando o disco por eles mesmos, eles na verdade não precisam de gravadoras.

Comente sobre seus próximos shows.

Erik: Nós esperamos fazer uma turnê pela Europa em um futuro próximo!

Deixe uma mensagem para os fãs de shoegaze/dream pop no Brasil.

Erik: Esperamos fazer uma turnê na sua parte do mundo algum dia.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Tributo ao In Utero: André Stella fala ao Songs to Valentina e toca "Dumb"


Às vésperas do relançamento oficial de In Utero, que comemora os 20 anos do álbum, Songs to Valentina e o músico André Stella, do Rio de Janeiro, prestam uma homenagem a este que é um dos discos mais emblemáticos da história do rock. De natureza mais subversiva do que seu antecessor, o comercialmente bem-sucedido Nevermind (1991), o terceiro e último álbum de estúdio do Nirvana divide opiniões quanto a ser ou não o melhor disco da carreira da banda. In Utero (1993) distancia-se do apelo pop mais evidente em Nevermind, mas também não é tão "bruto" quanto Bleach (1989) a ponto de significar uma ruptura com o mainstream, o que faz a tríade Bleach-Nevermind-In Utero representar a mesma banda sob cargas emocionais diferentes, em momentos próprios, antes complementares do que opostos.

André Stella fala ao blog o que pensa sobre o disco e comenta sobre a oportunidade de encontrar Kurt Cobain em 1993 quando o Nirvana veio ao Brasil pela primeira vez. No final, apresentamos um vídeo tributo com uma das faixas mais conhecidas de In Utero, "Dumb", tocada por André.

Songs to Valentina: O que você acha que o In Utero representou na carreira do Nirvana?

André Stella: O álbum mostra o amadurecimento do trabalho do Nirvana, consolidando de vez a identidade e a personalidade da banda. In Utero também é uma volta às raízes underground do grupo, dos tempos de Bleach, tanto nas composições quanto na produção do disco (que dessa vez ficou por conta de Steve Albini), bem mais “sujo” e “cru” do que Nevermind.

STV: E o que o álbum representou para o rock?

AS: In Utero foi o tão aguardado sucessor de Nevermind e gerou muita expectativa no mundo da música, em especial no mundo do rock. O álbum foi eleito por muitos críticos como o melhor da banda e consolidou o Nirvana como a maior banda de rock da época, a banda mais importante e relevante daquela geração.

"In Utero também é uma volta às raízes underground do grupo, dos tempos de Bleach."


STV: In Utero é seu álbum preferido na discografia do Nirvana? 

AS: É páreo duro. In Utero é genial, um sucessor à altura, mas meu álbum preferido do Nirvana é o Nevermind, uma verdadeira obra-prima. Quando ouvi o disco pela primeira vez, foi como se eu tivesse levado um soco na cara. Fiquei atordoado, ouvia todo dia, o tempo inteiro. Mudou minha vida e a vida de toda uma geração, no mundo todo.  Bleach é um disco fantástico e já mostrava o que estava por vir. Com Nevermind o Nirvana apareceu para o mundo de forma avassaladora, se tornando a banda mais importante e relevante que havia surgido em décadas, quebrando barreiras, trazendo o underground pro mainstream e abrindo caminho pra tantas outras bandas depois. Mudou a cena musical da época, tanto musicalmente quanto culturalmente.

STV: Quais faixas do álbum destacaria e por quê?

AS: Que pergunta difícil. O álbum todo é maravilhoso, todas as canções são sensacionais e cada uma tem a sua particularidade, tanto do ponto de vista das letras quanto das melodias e harmonias. Mas eu destacaria "Serve The Servants", "Scentless Apprentice", "Heart-Shaped Box", "Rape Me", "Dumb", "Milk It", "Pennyroyal Tea" e "All Apologies". São as minhas preferidas. Elas mostram o Nirvana em toda sua plenitude.

"O álbum foi eleito por muitos críticos como o melhor da banda e consolidou o Nirvana como a maior banda de rock da época."


STV: Conte sobre sua foto com Kurt Cobain. Quais lembranças tem daquele dia?

AS: Tirei minha foto com o Kurt em janeiro de 1993, durante o Hollywood Rock Festival, aqui no Rio de Janeiro. Eu e meus amigos fomos pra porta do hotel onde ele estava hospedado e ficamos lá esperando até ele aparecer. Nós estávamos nervosos e ansiosos, mas ele foi muito simpático e atencioso com a gente. Um cara bem tranquilo, bem simples. Tiramos algumas fotos, pegamos autógrafo, conversamos um pouco com ele. Enfim, foi rápido, mas foi inesquecível, pra levar pra sempre na memória e no coração. Kurt lives forever...

Arquivo Pessoal




quarta-feira, 7 de julho de 2010

Entrevista: Mateus Perito fala sobre o segundo disco da Inverness


                                        Inverness              Foto: Divulgação


Há um ano, você leu aqui sobre Inverness, banda de quatro garotos paulistanos influenciados pelo shoegaze do My Bloody Valentine, entre outras coisas. O vocalista e guitarrista Mateus Perito volta a falar ao Songs to Valentina, dessa vez especialmente sobre o segundo disco da banda, Somewhere I Can Hear My Heart Beating, previsto para o próximo semestre, e sobre a nova fase da banda.


Songs to Valentina - Atualmente vocês estão sendo produzidos por alguém ou o novo disco é totalmente independente?

Mateus Perito - Mais independente impossível! Estamos só nós quatro tentando usar todas as nossas habilidades para fazer dar certo, mas claro que abertos a novas parcerias.

STV - As referências musicais na composição desse segundo disco continuaram as mesmas?

Mateus - Não posso dizer por todos, mas imagino que as referências básicas continuam e novas apareceram. Atualmente, o Lucas, o Frá e eu andamos ouvindo muita música brasileira, Jorge Ben é rei no momento, e eu também ando bastante viciado em Rap. O Frá viciou em Dorival Caymmi, Cartola, Elomar e também continua pirando em coisas eletrônicas como o novo do Crystal Castles, Justice e MSTRKRFT. Mas posso dizer que esse nosso novo disco é muito mais Inverness do que qualquer referência que possamos ter.

STV - O que esse disco tem de diferente do anterior (Forest Fortress, de 2009)?

Mateus - O conceito é um pouco diferente. No Forest Fortress tratamos da interação entre cidade e natureza, nesse falamos mais de nós mesmos, do silêncio, da fuga para um lugar tranquilo. De qualquer forma, o disco foi um grande amadurecimento, apesar de termos trabalhado menos tempo nas músicas do que no Forest Fortress, elas estão todas muito mais redondinhas. Escolhemos também um método um pouco diferente de gravação, fazendo menos coisas no estúdio e mais em casa.

STV - Sobre o que falam as novas músicas?

Mateus - Apesar de ser um clichê, falamos bastante de amor, um pouco sobre a solidão, um pouco sobre o silêncio, o ponto-chave é que falamos muito mais do que sentimos, desta vez.

STV - Qual a previsão de lançamento de Somewhere I Can Hear My Heart Beating?

Mateus - Nós estamos terminando as gravações. Sendo muito pessimista, até o fim de setembro já estará circulando, mas isso apenas sendo pessimista. Provavelmente até o final do mês lançaremos o clipe do primeiro single, filmado com direção de André Vicentini, um novo cineasta que coincidentemente já havia feito um curta com o nome Inverness e caiu como uma luva para compor esse trabalho, e também com participação do grupo performático Cinetose (www.cinetose.com.br). Depois falem pra gente o acharam!

STV - Vai ser lançado virtualmente como Forest Fortress?

Mateus - Vai sim! Nós também temos uma parceria com um selo virtual chamado Psicotropicodelia, que vai dar uma força no lançamento e na divulgação. Talvez tenhamos uma forma de distribuição física, mas nada confirmado ainda. De qualquer forma todos terão acesso.

STV - Certa vez, o Myspace da banda divulgava uma data de show em NY. Rolou mesmo? Como foi essa experiência?

Mateus - Na verdade não rolou, o que é bem triste. A ideia inicial era uma turnê nos Estados Unidos e estava rolando, com as datas e tudo. Tínhamos uma boa quantidade de shows, entretanto, tivemos problemas com os vistos. Seguramos a turnê, mas conversamos com os locais e eles nos disseram que quando pudermos ir temos portas abertas para tocar.

STV - O Forest Fortress, em formato físico, saiu?

Mateus - Não com a Pisces, como o prometido. Inicialmente por uma série de problemas, mas nós fizemos questão de fazermos e distribuirmos o disco por conta própria, o que deu relativamente certo. Mas no fundo não importa muito, desde que as pessoas ouçam nossas músicas já ficamos suficientemente felizes!

STV - Quais os próximos shows?

Mateus - Com a bagunça que é gravar um disco, estamos bem vagarosos com shows. Fomos convidados para tocar em Taubaté e estamos vendo os detalhes, assim que tivermos uma resposta definitiva todos saberão por meio do nosso myspace.


terça-feira, 7 de julho de 2009

Entrevista: Inverness


Mateus Perito, voz/guitarra da Inverness
Foto: Alessandra Luvisotto
Inverness é uma banda de rock paulistana, formada por Lucas de Almeida (voz e guitarra), Mateus Perito (voz e guitarra), Flávio Fraschetti (baixo) e Marcio Barcha (bateria). A banda tem um EP homônimo (2007) e um disco de estreia, Forest Fortress, lançado neste primeiro semestre de 2009 e disponível gratuitamente na internet.

Foi em 27/06 que conheci a Inverness, em uma apresentação no Clube Praga, no bairro de Perdizes, São Paulo. Em entrevista ao Songs to Valentina, o vocalista e guitarrista Mateus Perito falou sobre o lançamento do primeiro disco, a relação com a internet, o som e os planos da Inverness.


Songs to Valentina - Vocês disponibilizaram na internet o disco de estreia, Forest Fortress. Parece que este é mesmo o caminho pra muitas das novas bandas. Que importância a internet tem para o Inverness? Como está sendo a recepção até agora?

Mateus - As bandas independentes do Brasil têm que se preocupar em lançar o seu som. O formato na verdade tanto faz, a questão é não engavetar o seu trabalho. Música é pra ser ouvida! Para o Inverness a internet é essencial, toda nossa divulgação foi via internet e continuamos todos os dias em cima disso, através do Myspace, Twitter, Orkut. É a melhor opção que temos até agora. Quanto à recepção do disco, estamos acompanhando pelas matérias que vêm saindo e estamos sendo bem comentados nos blogs. Parece que estamos tendo uma boa aceitação e esperamos que o Forest Fortress tenha uma repercussão maior, porque este primeiro disco foi realmente um parto para tirar de nossas cabeças e trazê-lo para a realidade!

STV - Aquela não foi a primeira vez que a banda tocou no Clube Praga. Sentiram algo diferente desta vez em relação ao público ou mesmo em relação a si próprios?

Mateus – Foi nossa terceira apresentação no Clube Praga. Uma delas foi o nosso primeiro show para um público que não consistia somente em nossos amigos, a outra foi durante um período meio conturbado para nós, pois estávamos sem o Frá (Flávio, baixista), ele estava em um projeto fora de São Paulo e fizemos uma experiência power trio. Estamos tocando muito melhor do que antes! Mas sinto que a principal diferença é que algumas pessoas da comunidade do Orkut e do Myspace apareceram pra ver o show, o que para nós é muito legal, pois são pessoas que vêm nos acompanhando há tempos.

STV – No site da TramaVirtual "rotulam" o som da banda em Forest Fortress como “de space folk a neo shoegaze”. Há bandas que preferem não se rotularem, se esse não é o caso do Inverness, a qual subgênero vocês diriam que pertencem? Como definem o som de vocês?

Mateus - Não nos preocupamos muito com os rótulos que nos dão. Alguns obviamente agradam mais do que outros. Acho que todos os rótulos são válidos para os ouvintes. O importante é que todos ouçam as nossas músicas. Se quiserem dizer que é shoegaze ou pós-punk, tanto faz. Considero o nosso som único, por causa do lance da narração na música, a preocupação com timbres, a mescla dos sons brasileiros com os internacionais, uso de sintetizadores, preocupação com as melodias vocais (vozes em confronto) e samples da natureza. Para mim, isso transforma a banda numa coisa mais original. Não que sejamos a banda mais original que já se viu, mas acho que estamos num bom caminho de criatividade. Isso tudo numa intenção de mostrar a relação entre a cidade e a natureza, pelo menos esse é o tema do Forest Fortress, mas quem ouvir está livre para sentir e pensar o que quiser.

STV – O Inverness soa diferente ao vivo...

Mateus - Sempre pensamos em oferecer ao público duas experiências: a ‘ao vivo’ e a ‘gravada’. Por isso ao vivo é muito mais barulhento, uma outra roupagem para as mesmas músicas, o que dá um charme ao show. Mas também não significa que em um próximo passo o ‘ao vivo’ não seja acústico e o ‘gravado’ não tenha 30 guitarras uma em cima da outra!

STV - O Inverness é assumidamente influenciado por Animal Collective, My Bloody Valentine, Radiohead e Spiritualized. Existem outras referências musicais além das quatro bandas e que não ficam evidentes no som?

Mateus - Não acho que todas as quatro (bandas) sejam aparentes no som. Algumas vezes são pequenos detalhes. O que a gente realmente pensa na composição é o conceito que pegamos emprestado e damos uma nova roupagem. Existem milhares de outras bandas que gostamos. Afghan Whigs, por exemplo, é uma banda que eu e o Cito (Marcio, baterista) adoramos, mas não é tão presente em nosso som. Também existe o amado Do Make Say Think do Lucas e do Cito, e também as maluquices que o Frá ouve, o violão clássico e outras. Nem tudo fica aparente em nosso som, mas ouvimos de tudo um pouco, muita coisa mesmo.

STV - Pelo menos de São Paulo, capital, vocês já saíram (a banda fez uma pequena turnê no mês de abril passando por Araraquara, Ribeirão Preto e Indaiatuba). O plano é chegar até o Coachella junto com o My Bloody Valentine?

Mateus - Sim, com certeza! Queremos ir o mais longe possível. Começando a tocar fora de São Paulo e depois para o mundo. Temos muito para mostrar!

STV - No Myspace da banda há a citação: "Não sabemos o que é o verso ou o refrão". O que isso quer dizer?

Mateus - A frase surgiu de uma brincadeira entre eu e o Lucas durante uma conversa sobre música. Reparamos que até então nossas músicas não se enquadravam no formato clássico, o verso-refrão. Nossas músicas estão mais para narração. Só que isso foi tão natural que nós começamos a brincar um com o outro dizendo que não sabíamos o que é o verso e o que é o refrão. Achamos tão engraçado que colocamos no Myspace.