segunda-feira, 30 de julho de 2012

Karina Buhr indicada a três categorias no VMB 2012

No Brasil das crias de Marisa Monte, uma cantora mais ousada desponta.


Desbotado o cenário de cantoras MPB/Rock nacionais, a descoberta de Buhr é um deleite aos mais inquietos. Karina está indicada ao Video Music Brasil 2012, premiação da MTV, nas categorias Melhor Disco, Melhor Música - “Cara Palavra” - e Melhor Artista Feminino. Se indicada pelo voto popular na internet, Buhr vai à votação final da Academia VMB, um juri formado por jornalistas, críticos e outros profissionais ligados à música. Longe de Onde, o disco em questão, está disponível para download no site da cantora. No último sábado (28), aliás, ela foi atração do programa Show Na Brasa da MTV.

Pernas à mostra, meia arrastão, brilho, cores (e mais brilho) nos olhos. Não é só o figurino, não é só a performance. O mais interessante mesmo em Karina é a ousadia de letras ácidas e estranhas, muitas vezes embaladas ironicamente em melodias suaves, o romantismo quase imperceptível. Em Karina, o amor não é romântico do tipo puro e sofredor. Ele é amargo e sinceramente controverso. Karina não é doce (cantando) e não é pop. No Brasil das crias de Marisa Monte, ou de eventuais candidatas à próxima Mallu Magalhães, uma cantora mais ousada desponta, finalmente.



terça-feira, 26 de junho de 2012

Goo: 22 anos do lançamento



Em 26 de junho de 1990 o Sonic Youth lançava Goo, primeiro por uma grande gravadora, a Geffen, da qual a banda só se desvinculou em 2007 quando foi para a menor e não menos importante Matador. Não é novidade que eles eram uns dos heróis do jovem e iniciante Kurt Cobain que então se tornara maior até que os próprios heróis. E Goo foi lançado exatamente na febre grunge norte-americana e rendeu turnês pela Europa e Estados Unidos ao lado do Nirvana. Assim, o Sonic Youth experimentou nessa fase “Goo-Dirty” algum sucesso comercial. Goo é o sucessor do espetacular Daydream Nation (1988) e é possivelmente o disco cujas canções têm os videoclipes mais toscos já produzidos - vide “Tunic (Song for Karen)” e “My Friend Goo” -, mas também há boas produções audiovisuais como em “Kool Thing”, o primeiro single, no qual a loira e linda Kim Gordon flerta com o rapper Chuck D e exibi-se com gatinhos. “Disappearer” também é dos melhores, e o encantador vídeo de “Dirty Boots” transpira amor grunge adolescente. “Mote”, cantada por Lee Ranaldo, "Titanium Exposé" e “Mildred Pierce” também estão entre os destaques do disco. Um álbum depois (Dirty, de 1992) e o Sonic Youth pondera o “sucesso”, transgride, e reaparece com Experimental Jet Set, Trash And No Star (1994) talvez desapontando de certo modo os fãs casuais conquistados com Goo. Fato é que este álbum sempre será lembrado como um dos melhores da banda, seja ele - moderadamente - comercial ou não.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Los Hermanos volta a fazer shows este mês

Músicos se reúnem para comemorar os 15º aniversário da banda que, para alegria de muitos, na verdade nunca deixou de existir


Em 2012 será a terceira vez que a banda carioca Los Hermanos sai em turnê após o hiato anunciado em 2007. Agora, a banda segue numa turnê maior, percorrendo algumas das principais cidades brasileiras, para 24 shows que comemoram seus 15 anos de existência. Segundo o tecladista Bruno Medina em seu blog no portal G1, eles iniciaram os ensaios neste mês de abril. Não por acaso, o show que abre a turnê comemorativa acontecerá no dia 20, no festival Abril Pro Rock, em Recife, principal ponto de partida para a carreira bem-sucedida da banda. De abril a junho, a turnê ainda passa pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Belém, Manaus, Fortaleza e Brasília. “Se agora estamos fazendo 24 shows, e, pelo menos 20 deles estão esgotados há 4 meses, posso afirmar seguramente que não foi apenas por causa de uma música lançada 13 anos atrás”, diz Medina em seu blog.


Após um sucesso estrondoso - "Anna Júlia" -, quatro discos lançados, uma imensidão de fãs conquistados em todo o país e 10 anos de carreira, seus integrantes optaram por dar um tempo com a banda e partiram para projetos pessoais. Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, por exemplo, lançaram discos. Amarante juntou-se a Fab Moretti (The Strokes) na banda Little Joy, e de lá pra cá Camelo lançou dois discos solos, Sou e Toque Dela. Os primeiros shows de retorno aos palcos ocorreram em 2009, em São Paulo e Rio de Janeiro, abrindo para os ingleses da Radiohead, e houve uma mini-turnê pelo nordeste do país em 2010, além de uma apresentação no festival SWU no mesmo ano.

Sobre a nova turnê de 2012, o tecladista Bruno Medina afirma em sua página na internet: “A verdade é que o Los Hermanos nunca deixou de existir – apesar de muita gente pensar o contrário. Penso que a banda é como uma casa de praia: por mais que você tenha escolhido outro lugar para morar e ainda que você só passe ali alguns dias por ano, trata-se do lugar em que você vai viver os momentos mais felizes da sua vida. Exatamente porque ali é seu refúgio, e não a sua rotina”.


domingo, 8 de janeiro de 2012

David Bowie faz 65 anos

                                                                                                                                                    
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O músico, produtor musical e ator inglês David Bowie completa hoje, 8 de janeiro, 65 anos. Ora extravagante, ora polêmico, o Camaleão do Rock ganhou notoriedade por sua incrível capacidade de se reinventar musical e visualmente. Ao longo de décadas, a música de David Bowie vem influenciando a muitos e legitimando seu nome entre os maiores da cultura pop.

domingo, 20 de novembro de 2011

Sonic Youth: o maior ícone do rock alternativo e experimental


 Sonic Youth - 14/11/11, SWU, Paulínia (SP)

                                                                                Foto: Jorge Rosenberg

Após quase uma semana da 2ª edição do festival SWU, no qual pode ter acontecido a última apresentação dos nova-iorquinos do Sonic Youth, depois de um "futuro incerto" anunciado pela gravadora Matador, "Mote", "Cross The Breeze", "Schizophrenia" e "Drunken Butterfly" ainda ecoam na minha cabeça.

"Mote", apesar de ser de um dos discos mais conhecidos, Goo (1990), aquele cuja camiseta muitos admiradores têm, não é exatamente um hit do álbum. Até Kurt Cobain aparece no documentário 1991: The Year Punk Broke usando uma camiseta com a estampa da capa de Goo. "Mote", cantada por Lee Ranaldo, sempre foi uma das minhas músicas preferidas do Sonic Youth. A imagem de Lee, aliás, é a que melhor evidencia quanto tempo já passou - 30 anos de banda - e digo isso unicamente pelos fios grisalhos na cabeça. No palco, Thurston Moore, aos 53 anos, ainda é o mesmo rapaz alto, de cabelo cobrindo o rosto, tocando sua guitarra com tanta intensidade que em determinados momentos parece ter um orgasmo sônico. A expressão veio bem a calhar. Kim Gordon nunca  fez o tipo simpática ou pretensiosamente sexy, mas sempre executa com graça e alta legitimidade sua função no palco. Steve Shelley, apareceu no palco e sentou-se à bateria para os últimos ajustes minutos antes do show. Não houve nenhum alvoroço. Naquele momento Steve era a melhor representação do Sonic Youth, uma banda ao mesmo tempo tão cultuada e tão pouco popular.

"Cross The Breeze" é uma das minhas faixas preferidas do espetacular Daydream Nation (1988), metamorfoseia-se lindamente da suavidade à forte energia. "Schizophrenia" foi anunciada por Thurston como "Sister", que na verdade é o nome do disco lançado em 1987 no qual a música está. O blefe rendeu um sorrisinho de Mark Ibold, o guitarrista que os acompanha, membro original do Pavement. "Drunken Butterfly", do álbum Dirty (1992), já começa explosiva. Cantada por Kim que rodopia e rodopia em êxtase. Pleasure is mine, Kim. Na sequência, entre outras, tocaram a "pop" "Sugar Kane", também do álbum Dirty e encerram o show com "Teen Age Riot", outra faixa de Daydream Nation, um dos discos mais queridos pelos fãs.

Eu não admiro nenhuma outra banda como admiro o Sonic Youth no palco. É praticamente uma veneração. Em termos de produtividade, influência, integridade e performance ao vivo, Sonic Youth é icônico, absolutamente.


I love their noise all the time.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Damon Albarn apresenta seu novo projeto: Rocket Juice and The Moon

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Damon Albarn é um músico inquieto, no melhor sentido. Como se não bastasse sua boa reputação como frontman de uma das melhores bandas do Britpop 90, o Blur, ao longo dos anos ele vem ocupando o noticiário musical a cada projeto em que se envolve. Quem não se lembra da banda semivirtual Gorillaz? Anos depois, Damon surgiu com o excelente The Good, The Bad and The Queen, que incluia ex-integrantes do Verve e do Clash - projeto sobre o qual você já leu aqui. Recentemente o músico lançou o projeto DRC Music, que rendeu um álbum beneficente, agora a notícia que repercuti no mundo do rock é sua mais nova banda chamada Rocket Juice and The Moon, com Tony Allen (o mesmo que tocou bateria no The Good, The Bad and The Queen) e Flea, sim, ele mesmo, o baixista do Red Hot Chilli Peppers. Abaixo, você ouve "Poison", da primeira apresentação da banda no dia 28 de outubro, em Londres.




domingo, 2 de outubro de 2011

1991 muito além de Nevermind

Em setembro, muito se falou - e se fez - sobre os 20 anos de Nevermind, o mais popular disco do Nirvana. Porém, outros discos importantes também foram lançados no mesmo ano em que Nevermind, marcando o início da década de 90 - e do grandioso rock alternativo daquele período. O Primal Scream recentemente fez um show em São Paulo em que celebraram os 20 anos de seu terceiro disco de estúdio, Screamadelica. Aproveitando essa onda de celebrações, Songs to Valentina te mostra alguns dos discos mais legais lançados exatamente em 1991.

Pra começar, o já citado Screamadelica, da banda escocesa Primal Scream. A banda de Bobby Gillespie, que é frequentemente lembrado como o baterista do The Jesus and Mary Chain em Psychocandy  - o disco de estreia do JAMC -, lançou Screamadelica no mesmo mês  - e quase no mesmo dia - em que o Nirvana teve Nevermind lançado.

De Screamadelica (setembro de 1991, Creation Records), a canção "Come Together":





O My Bloody Valentine (Irlanda) lançou seu segundo disco, Loveless, em novembro de 1991 também pela Creation Records. O cultuado disco shoegazer foi produzido pelo próprio vocalista e guitarrista Kevin Shields.

De Loveless, a canção "Sometimes", que faz parte da trilha sonora do filme Lost in Translation (Encontros e Desencontros) de Sofia Coppola:



Continuando com os britânicos, seguimos com Leisure, o disco de estreia do Blur. Foi lançado em agosto de 1991 pela Food Records. Deste disco, "She's So High":




Agora vamos aos norte-americanos. Gish, o álbum de estreia do Smashing Pumpkins (Chicago), foi produzido por Butch Vig - o mesmo produtor de Nevermind -  e saiu pela Caroline Records em maio de 1991. De Gish, "I Am One":






Kurt Cobain gostava do som que Black Francis, Kim Deal e companhia faziam no Pixies e foi deles mais um lançamento quase simultâneo ao Nevermind. Trompe Le Monde, o quinto e até agora último disco de inéditas do Pixies, saiu pela gravadora 4AD no Reino Unido e pela Elektra Records nos Estados Unidos, em setembro de 1991. Este disco traz a cover de "Head On" do The Jesus And Mary Chain:




Nirvana já podia ser considerada uma banda veterana (Nevermind foi o segundo disco da carreira) quando Ten, o disco de estreia do Pearl Jam, foi lançado pela Epic Records em agosto de 1991. De Ten, um disco repleto de hits, "Oceans":



domingo, 25 de setembro de 2011

Nevermind: 20 anos




Bleach, o primeiro disco do Nirvana, custou 600 dólares, Nevermind, mais de 120 mil; Nevermind chegou ao 1º lugar das paradas da revista Billboard, passando à frente de Michael Jackson e se tornando o disco mais vendido dos EUA.

No início do mês de abril de 1990, Kurt Cobain, então com 23 anos, e sua banda dirigiram-se à cidade de Madison, capital de Wisconsin, para sessões de gravação no Smart Studios com Butch Vig, experiente produtor de bandas alternativas. Kurt queixava-se do som da bateria nos outros trabalhos da banda, e foi Vig (também baterista do Garbage) quem conseguiu captar esse som, certamente alegrando-o. A gravação duraria uma semana. A versão de "Here She Comes Now", do Velvet Underground, foi gravada nesse período e cinco das músicas gravadas nas sessões no Smart Studios entraram no Nevermind, o próximo disco da banda que inicialmente se chamaria Sheep (Ovelha). "Roubem Sheep. Numa loja perto de você. Nirvana. Flores. Perfume. Doces. Cachorrinhos. Amor. Sheep" dizia Kurt em um anúncio imaginário para o disco.

O segundo disco do Nirvana estava pronto em junho de 1991, mais de um ano após aquelas primeiras sessões com Butch Vig no Smart Studios. Mas apesar da boa produção, a mixagem de Vig não agradou a gravadora (DGC) e nem a banda, então a remixagem coube a Andy Wallace. Kurt desistiu de chamá-lo de Sheep e sugeriu Nevermind, "Para Kurt, o título funcionava em vários níveis: era uma metáfora para sua atitude diante da vida; era gramaticalmente incorreto, combinando duas palavras em uma (...), e vinha de "Smells Like Teen Spirit", que estava se tornando a canção mais falada das sessões de gravação", conta Charles R. Cross.

Quando entraram em estúdio, "Lithium" aparentava ser o sucesso do disco mas, assim que concluído, "Smells Like Teen Spirit" despontava como o provável primeiro single e consequente sucesso. A sensibilidade artística de Kurt ia além da música, e foi dele a ideia da capa de Nevermind (como mais tarde com In Utero). O crédito da foto do macaquinho, na contra-capa, é dado a um tal de Kurdt Kobain. Michael Levine fotografou a banda para as fotos do encarte. Kurt não se sentia muito à vontade para tirar fotografias, mas tomou uma garrafa de uísque e "aparentava bom humor e sorria muito". A foto na qual ele aparece mostrando o dedo do meio, foi de sua escolha. Parte das letras do disco são baseadas no relacionamento de Kurt com Tobi Vail, de quem "levou um fora".

Enquanto Nevermind não era lançado, o Nirvana fez uma excursão pela Europa com 10 apresentaçãos ao lado do Sonic Youth, documentada em 1991: The Year Punk Broke, de Dave Markey (que já pode ser encontrado no Brasil em DVD importado).

No dia 13 de setembro de 1991, uma sexta-feira, foi promovido em Seattle um show de lançamento de Nevermind, só para convidados, cujo anúncio dizia: "Esqueça o azar do 13, aqui está o Nirvana". Em 24 de setembro foi oficialmente lançado.

Em algumas semanas, a ascensão do disco nas paradas da Billboard foi gloriosa, como visto poucas vezes. Durante semanas o disco ficou esgotado, isso porque, curiosamente, as expectativas da gravadora não eram grandes e por isso havia prensado inicialmente apenas 46.251 exemplares. Nevermind vendeu milhões e a partir dele Cobain e banda começaram a ganhar dinheiro de verdade com sua música. Apesar do quanto custou para ser concluído, Nevermind subiu nas paradas sem grandes campanhas de marketing e quase sem tocar nas rádios. Toda homenagem ao Nevermind e ao Nirvana, desde então, é válida.


* Texto baseado no livro Heavier Than Heaven (Mais Pesado Que O Céu) - Uma biografia de Kurt Cobain, de Charles R. Cross (Editora Globo, 2002).

domingo, 14 de agosto de 2011

Gotye: "Somebody That I Used To Know"

                                                                                                            
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Gotye é o nome de trabalho do multi-instrumentista belga-australiano Walter De Backer. Na Austrália, o músico indie é bem reconhecido e premiado, mas a nível internacional é um daqueles quase-anôminos. Atualmente, Gotye começa a ter mais visibilidade internacional juntando-se a nomes consagrados como Coldplay, Kanye West e Janes Addiction no Splendour In The Grass, um festival australiano. Além disso, o videoclipe para o mais recente single, "Somebody That I Used To Know", que conta com a participação da cantora neozelandesa Kimbra, é um dos vídeos mais vistos na MTV mundial. Seu terceiro disco de estúdio, Making Mirrors, será lançado no próximo dia 19 de agosto.
 



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Amy Winehouse volta à Billboard 200

                                                            
Foto: Divulgação
                                                                                                      
Para uns, só mais uma famosa drogada do mundo da música, para outros, diva e inspiração. O fato é que após sua precoce morte no último sábado (23), a britânica Amy Winehouse deve virar mais um mito da música e continuar a dar lucros à indústria musical. O culto à Amy, no âmbito da cultura pop,  já começou. Como divulgado ontem (27) pelo site da revista Billboard Brasil, quatro dias após ser encontrada morta, Winehouse voltou à Billboard 200, a lista semanal dos discos mais vendidos (nos Estados Unidos, neste caso). Back To Black (2006), do estrondoso sucesso "Rehab" e outros hits, ocupa a 9ª posição, enquanto o disco de estreia, Frank (2003), entrou para a lista ocupando a 57ª posição, segundo divulgou a versão brasileira da revista.